Quem tem a memória mais aguçada possivelmente se lembrará da chegada de Ian Goodfellow à Apple, em 2019. O profissional deixou o Google para tornar-se diretor de aprendizado de máquina (machine learning, ou ML) em Cupertino e rapidamente tornou-se um dos principais nomes da empresa na área… até agora.
De acordo com a jornalista Zoë Schiffer, do The Verge, Goodfellow pediu demissão recentemente da Apple. E não, não foi por nenhum convite de uma outra empresa ou para fundar sua própria companhia: o diretor saiu por não concordar com a política de retorno ao trabalho presencial da Maçã.
Ian Goodfellow, Apple’s director of machine learning, is leaving the company due to its return to work policy. In a note to staff, he said “I believe strongly that more flexibility would have been the best policy for my team.” He was likely the company’s most cited ML expert.
— Zoë Schiffer (@ZoeSchiffer) May 7, 2022
Em uma nota enviada aos seus colegas, Goodfellow afirmou que “acredita fortemente que mais flexibilidade seria a melhor política” para o retorno da sua equipe aos escritórios. Segundo Schiffer, o diretor era o especialista em aprendizado de máquina mais citado da Apple atualmente — ou seja, um talento que certamente fará falta às ambições da Maçã.
As diretrizes de retorno ao trabalho presencial da Apple, como se sabe, têm sido alvo de críticas dentro da própria empresa. A Maçã definiu um regime híbrido progressivo, no qual os funcionários voltariam aos escritórios inicialmente por um ou dois dias na semana, aumentando a carga horária presencial ao longo de alguns meses — uma política considerada mais rígida do que a de concorrentes como o Google e a Meta, que chegaram a instituir o trabalho remoto como opção definitiva para algumas equipes.
O grupo Apple Together, composto por funcionários da empresa, publicou recentemente uma carta aberta criticando as diretrizes da Maçã, apontando que o plano de retorno ao trabalho presencial não levou em conta as necessidades de cada equipe e poderá diminuir a (tão duramente cultivada) diversidade no seu quadro de empregados.
Uma pesquisa da Blind, enquanto isso, demonstrou que 56% dos funcionários da Maçã estão procurando emprego em outro lugar — número potencializado pela insatisfação com o retorno ao trabalho presencial, segundo a firma. E já falamos aqui sobre a ocasião na qual a Apple tentou derrubar canais no seu Slack que, entre outros assuntos, falavam sobre o trabalho remoto e a volta aos escritórios.
Vejamos, portanto, se a saída de Goodfellow manterá os planos da Maçã ou se a empresa tomará medidas para evitar a perda de mais talentos.